Uma imagem de satélite revela um complexo gigantesco. Lagos artificiais brilham ao sol. Edifícios luxuosos cercam jardins elaborados. Além disso, um hipódromo imenso domina parte do terreno. Isso é Kang Dong. Enquanto milhões de norte-coreanos passam fome, a família Kim desfruta de um paraíso de 4 quilômetros quadrados.
Distância do Centro: Um Mundo de Distância
Kang Dong fica em Kangdong-gun. É um condado suburbano de Pyongyang. Porém, está a 30 quilômetros da Praça Kim Il Sung. Essa distância não é apenas geográfica. Representa um abismo entre dois mundos. Um de luxo absoluto. Outro de privação extrema.
O Rio Taedong corre a apenas 1 quilômetro ao norte. Fornece água fresca para os lagos artificiais. Além disso, garante beleza cênica ao complexo. Mas nenhum norte-coreano comum pode sequer se aproximar. Duas linhas de cercas blindadas protegem a área. Cabines de guarda vigiam cada entrada. Checkpoints bloqueiam qualquer acesso não autorizado.
140 Milhões de Dólares em Luxo Enquanto o Povo Passa Fome

A década de 1980 marcou o início da construção. Kim Jong Il ordenou pessoalmente o projeto. Queria uma residência de verão digna de sua posição. Portanto, nenhum custo seria poupado. Estimativas apontam gastos de 140 milhões de dólares. Isso em um país onde o PIB per capita mal ultrapassa mil dólares.
A década de 1990 trouxe expansões massivas. Novos edifícios surgiram ao redor dos lagos. Casas de hóspedes se multiplicaram. Além disso, instalações de entretenimento foram adicionadas. Cada adição aumentava o contraste com a realidade do povo. Enquanto a Grande Fome matava centenas de milhares, Kang Dong ganhava pistas de boliche e stands de tiro.
Análises de imagens de satélite mostram mudanças contínuas. Mesmo após 2006, novas construções apareceram. Uma estação ferroviária exclusiva foi erguida. Conecta o complexo diretamente à rede ferroviária nacional. Mas apenas trens especiais param ali. Apenas a família Kim e convidados VIP podem usá-la.
Uma Cidade Dentro de Cercas Blindadas
Kang Dong não é apenas uma residência. É uma cidade completa. O edifício principal domina o centro. Fica ao redor de um lago com fonte ornamental. Kim Jong Il tinha seu próprio prédio ali. Ko Yong Hui, sua esposa falecida, também possuía residência separada.
Kim Kyong-hui, irmã de Kim Jong Il, ganhou seu próprio edifício. Jang Sung-taek, seu cunhado, tinha acomodações luxuosas. Porém, Jang foi executado em 2013. Acusado de traição. Sua residência provavelmente foi redistribuída. Assim funciona a dinastia Kim.
Dezenas de casas de hóspedes pontilham a propriedade. Cada uma equipada com todo luxo imaginável. Um salão de banquetes acomoda festas grandiosas. Além disso, jardins elaborados cercam múltiplos lagos artificiais. Tudo meticulosamente mantido por trabalhadores invisíveis.
Entretenimento Digno de Imperadores

O hipódromo ocupa 100.000 metros quadrados. É maior que 14 campos de futebol. Kim Jong Il adorava cavalos. Portanto, construiu instalações de nível olímpico. Estábulos abrigam dezenas de animais de raça. Treinadores profissionais cuidam de cada detalhe.
Uma piscina olímpica oferece refúgio no verão. Campo de futebol permite partidas privadas. Além disso, pistas de boliche garantem diversão indoor. Stands de tiro aprimoram habilidades militares. Pista de patinação funciona o ano todo. Cada instalação seria luxo inimaginável para cidadãos comuns.
Kenji Fujimoto, ex-cozinheiro de Kim Jong Il, trabalhou em Kang Dong. Viveu em uma casa de hóspedes dentro do complexo. Forneceu fotografias raras datadas de 1989. Suas imagens revelaram pela primeira vez o interior do paraíso secreto. Mostram lagos serenos. Edifícios imponentes. Jardins perfeitos. Tudo enquanto o país afundava em crise.
Oito Palácios Fora de Pyongyang
Lee Young-kuk era guarda-costas de Kim Jong Il. Desertou e revelou segredos chocantes. Segundo ele, existem pelo menos oito residências de líderes fora de Pyongyang. Kang Dong é apenas uma delas. Cada complexo tem características únicas. Todos compartilham luxo extremo.
Essas residências são chamadas de “teukgak“. Complexos especiais. Ficam nas paisagens mais pristinas do país. Montanhas. Praias. Florestas. Além disso, são totalmente proibidas para norte-coreanos comuns. Aproximar-se significa prisão. Ou pior.
Ryongsong Residence é a residência principal de Kim Jong Un. Kang Dong serve como segunda residência oficial. Usada principalmente no verão. Também hospeda festas com oficiais próximos. Além disso, funciona como refúgio para férias familiares. Cada estação tem seu palácio preferido.
A Ironia de Um Berço Falso
Perto de Kang Dong fica Hyangmok-ri. Ali está sendo construído o “local de nascimento” de Kim Jong Un. Relatos de desertores, reunidos por analistas que monitoram a liderança norte-coreana, revelaram o projeto, que prevê um santuário destinado a virar ponto de peregrinação. Mas há um problema fundamental na base de toda a operação.
Ninguém sabe onde Kim Jong Un nasceu. A Coreia do Norte nunca revelou o local e é reticente até com a data: segundo a Radio Free Asia, a biografia oficial que o próprio regime distribuiu em 2020 omite os dois dados. Do lado sul-coreano, a ficha do líder no portal de informações do Ministério da Unificação registra apenas o dia 8 de janeiro de 1984, sem qualquer campo de local de nascimento. O que circula fora dos arquivos oficiais são versões concorrentes. A mais antiga, repetida por anos na imprensa a partir de relatos de desertores, aponta Changsong, na Província de Pyongan do Norte. Em março de 2021, porém, a tia e o tio do líder, Ko Yong-suk e Ri Kang, que viveram com a família até desertarem em 1998, deram uma série de entrevistas em Washington ao pesquisador sul-coreano Cheong Seong-chang, do Instituto Sejong, e apontaram uma residência oficial no distrito de Samsok, no nordeste de Pyongyang. O depoimento só veio a público em 2025, quando Cheong o publicou em livro, com cobertura da imprensa sul-coreana. Nenhuma das duas versões se apoia em documento. Sobre o berço do homem que governa o país, o que existe é testemunho, não registro.
Aí está a ironia de verdade. O Estado ergue um berço monumental para um líder cujo local de nascimento ele mesmo nunca revelou. A lacuna não atrapalha a propaganda, pelo contrário: é justamente ela que abre espaço para a construção do mito. Sem registro conhecido, qualquer lugar pode ser consagrado, e a escolha passa a obedecer à conveniência política. O santuário vem primeiro, a biografia se ajusta depois. Enquanto isso, hospitais seguem sem equipamentos básicos e escolas sem aquecimento no inverno, mas a obra do berço não para.
Kang Dong: Complexo de Luxo de Segurança Máxima
A área total de Kang Dong é impressionante. Quatro quilômetros quadrados de território protegido. Isso equivale a 400 hectares. Maior que muitos bairros inteiros de Pyongyang. Mas apenas uma família pode acessá-lo.
Duas linhas de cercas blindadas cercam todo o perímetro. Imagens de satélite mostram claramente essa segurança. Cabines de guarda aparecem em intervalos regulares. Além disso, checkpoints controlam as poucas entradas. Veículos são inspecionados meticulosamente. Identidades são verificadas múltiplas vezes.
O aeródromo de Kangdong fica a 4 quilômetros ao sul. Permite chegadas e partidas discretas. Helicópteros pousam regularmente. Além disso, aviões pequenos trazem suprimentos especiais. Tudo longe de olhos curiosos. Tudo mantido em segredo absoluto.
O Contraste Que Define Uma Ditadura
A década de 1990 foi catastrófica para a Coreia do Norte. A Grande Fome matou entre 600.000 e 1 milhão de pessoas. Crianças comiam cascas de árvores. Famílias inteiras desapareciam. Porém, Kang Dong continuava sendo expandido. Novos lagos eram cavados. Jardins eram plantados. Instalações de luxo eram adicionadas.
Esse contraste define o regime. Enquanto o povo sofre, a elite prospera. Além disso, o sofrimento é invisível para os líderes. Kang Dong existe em uma bolha. Uma realidade paralela. Onde fome não existe. Luxo é ilimitado. Onde a dinastia Kim vive como imperadores antigos.
Hoje, milhões de norte-coreanos ainda enfrentam desnutrição crônica. Hospitais carecem de medicamentos básicos. Escolas não têm material didático. Mas Kang Dong permanece impecável. Seus lagos brilham. Seus jardins florescem. Suas piscinas são limpas diariamente. A dinastia continua seu banquete enquanto o povo passa fome.
O Legado de Três Gerações de Ditadores
Kim Il Sung iniciou a tradição dos complexos luxuosos. Kim Jong Il a expandiu dramaticamente. Agora Kim Jong Un a mantém. Três gerações. Mesma filosofia. O povo existe para servir a dinastia. A dinastia não serve o povo.
Kang Dong simboliza essa filosofia perfeitamente. É monumento ao egoísmo absoluto. Representa décadas de recursos desviados. Além disso, mostra prioridades distorcidas. Um país investe em palácios enquanto seu povo morre. Uma família vive em paraíso enquanto milhões sofrem.
As imagens de satélite não mentem. Mostram a verdade que o regime tenta esconder. Revelam o contraste que define a Coreia do Norte. Além disso, documentam o legado de três gerações de ditadores. Um legado de luxo obsceno construído sobre sofrimento inimaginável.
Referências Bibliográficas
- “Born in Pyongyang, Kim Jong-un anointed heir to father at 8 years old, say relatives.” The Korea Herald, 2025.
- “Kangdong Residence.” Wikipedia, s.d.
- “Kim family Kangdong compound updated.” North Korea Economy Watch, 2012.
- “Kim Jong Il, Where He Sleeps and Where He Works.” Daily NK, s.d.
- Ministério da Unificação da Coreia do Sul. “김정은.” Portal de Informações da Coreia do Norte, s.d. Disponível em: nkinfo.unikorea.go.kr.
- “New Official Biography of North Korean Leader Kim Jong Un Hides His Date and Place of Birth.” Radio Free Asia, 2020.
- “Scuttle Buttin’ Jong Un’s Shrine in Kangdong County.” North Korea Leadership Watch, 2010.
- “[김씨 왕조의 실체] 김정일의 호화 별장.” Radio Free Asia, 2010.
