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SNCC – A Formação do Comitê dos Estudantes Não-Violentos

SNCC – A Formação do Comitê dos Estudantes Não-Violentos

Em 1960, um grupo de ativistas universitários formou o Comitê dos Estudantes Não-Violentos (SNCC) na Universidade de Shaw, em Raleigh, Carolina do Norte. Inspirados pelas ideias de desobediência civil de Henry David Thoreau e pelos princípios de não-violência de Mahatma Gandhi e Martin Luther King Jr., esses estudantes buscavam métodos pacíficos para combater a segregação racial e a injustiça social nos Estados Unidos.

Formação do SNCC

A formação do SNCC ocorreu em um período de intensa luta pelos direitos civis nos Estados Unidos. Durante os anos 1950 e 1960, o movimento pelos direitos civis ganhou força, com protestos e manifestações contra a segregação racial, especialmente no sul do país. A desobediência civil tornou-se uma estratégia central para esses ativistas, que acreditavam que a resistência pacífica poderia trazer mudanças significativas.

Os membros do SNCC adotaram a desobediência civil como uma tática para desafiar as leis injustas de segregação. Sentavam-se em balcões de lanchonetes reservados para brancos, participavam de freedom rides (viagens de ônibus para desafiar a segregação interestadual) e organizavam campanhas de registro de eleitores em áreas rurais do sul. A não-violência era um princípio fundamental, mesmo diante de agressões e violência.

Sit-ins

Uma das táticas mais eficazes do SNCC foi o “sit-in”. Em fevereiro de 1960, quatro estudantes negros da Universidade Técnica e Agrícola da Carolina do Norte realizaram um sit-in em um balcão de lanchonete em Greensboro, Carolina do Norte. Este evento inspirou uma série de sit-ins em todo o sul, onde estudantes pacificamente ocupavam espaços segregados, exigindo igualdade de tratamento. Os sit-ins do SNCC desafiaram a segregação de maneira direta e pacífica, destacando a injustiça das leis segregacionistas.

Freedom Rides

Outra estratégia importante foram os “freedom rides”. Em 1961, ativistas brancos e negros viajaram juntos em ônibus interestaduais pelo sul, desafiando as leis de segregação nos terminais de ônibus. Enfrentaram violência, prisões e hostilidade, mas atraíram atenção nacional e internacional para a causa dos direitos civis. Os freedom rides testaram a decisão da Suprema Corte dos EUA, que havia declarado a segregação no transporte interestadual inconstitucional.

Impacto e Legado do SNCC

O SNCC desempenhou um papel vital no movimento pelos direitos civis, influenciando mudanças significativas nas leis e atitudes sociais. As táticas de desobediência civil destacaram as injustiças da segregação e pressionaram o governo federal a agir. A Lei dos Direitos Civis de 1964 e a Lei dos Direitos de Voto de 1965 foram, em parte, resultados dos esforços contínuos do SNCC e de outras organizações de direitos civis.

Nos anos seguintes, o SNCC passou por transformações significativas. Inicialmente focado na integração racial e na não-violência, o grupo começou a adotar uma postura mais militante no final da década de 1960. Sob a liderança de Stokely Carmichael, o SNCC começou a defender o “Black Power” e a autonomia negra, refletindo a frustração com o ritmo lento das mudanças e a contínua violência contra os afro-americanos.

Referências
Branch, Taylor. Parting the Waters: America in the King Years 1954-63. Simon & Schuster, 1988.
Carson, Clayborne. In Struggle: SNCC and the Black Awakening of the 1960s. Harvard University Press, 1995.
Morris, Aldon D. The Origins of the Civil Rights Movement: Black Communities Organizing for Change. The Free Press, 1984.
Payne, Charles M. I’ve Got the Light of Freedom: The Organizing Tradition and the Mississippi Freedom Struggle. University of California Press, 1995.
Zinn, Howard. SNCC: The New Abolitionists. Beacon Press, 1965.
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