Arraia-Manta Gigante Capturada em 1933

A fotografia, registrada em 1933, mostra uma arraia gigante do gênero manta, pertencente a uma das maiores espécies de raias existentes. A arraia gigante capturada foi exibida na Marina de Hansen em Brielle, Nova Jersey, Estados Unidos.

A fotografia, registrada em 1933, mostra uma arraia gigante do gênero manta, pertencente a uma das maiores espécies de raias existentes. A arraia gigante capturada foi exibida na Marina de Hansen em Brielle, Nova Jersey, Estados Unidos.

A fotografia, registrada em 1933, mostra a arraia-manta gigante capturada ao largo da costa de Nova Jersey, nos Estados Unidos, e levada para a marina de Feuerbach e Hansen, em Brielle. Com 6,22 metros de largura e mais de duas toneladas, o animal entrou para o noticiário da época como o maior exemplar da espécie trazido a terra até então.

A Captura da Arraia-Manta Gigante em 1933

No sábado, 26 de agosto de 1933, o capitão A. L. Kahn saiu do canal de Manasquan a bordo do cabin cruiser Miss Pensacola II para um dia comum de pesca de anchovas e pargos. A captura não foi planejada. Quando o mestre da embarcação começou a recolher a âncora, uma arraia-manta gigante já estava presa na amarra e passou a arrastar o barco. A reportagem que Arthur Strawn publicou no St. Louis Post-Dispatch em dezembro daquele ano descreve cerca de três horas de luta, com a popa erguida fora d’água e risco real de emborcamento.

O desfecho veio de fora do barco. O cúter 2390 da Guarda Costeira, que patrulhava a região atrás de contrabandistas de bebida, aproximou-se para investigar e encerrou o episódio com vinte tiros de rifle de alta potência. Só então a arraia pôde ser rebocada até Brielle e içada para terra. Nenhum registro contemporâneo menciona arpões, equipamento pesado de pesca ou redes: o animal se prendeu sozinho na linha da âncora.

Pesado em terra, o exemplar ficou entre 5.000 e 6.000 libras, algo entre 2,3 e 2,7 toneladas, com 20 pés e 5 polegadas de largura, equivalentes a 6,22 metros. A identificação da época foi “great manta”, nome popular então usado para a arraia-manta gigante, e a idade do animal foi estimada em torno de 30 anos. Esses números vieram da imprensa de 1933 e ficam no limite superior do que a ciência registra hoje para a espécie, o que recomenda tratá-los como estimativa e não como medição rigorosa.

O Que Aconteceu Depois em Brielle

A fila de curiosos no cais foi tão grande que Kahn transformou o animal em atração paga, cobrando dez centavos por visitante. Em três dias a arrecadação bastou para o corpo de bombeiros local comprar um carro novo, avaliado em 3.000 dólares. Depois disso a arraia foi entregue a um taxidermista e passou a ser exibida em Nova York. Kahn declarou à imprensa que pretendia doar o exemplar a um museu de história natural, e não há registro público confirmando que a doação tenha acontecido.

Dois pontos seguem em aberto. O local exato da captura varia conforme a fonte: a reportagem de 1933 situa o pesqueiro a cerca de sete milhas de Point Pleasant, enquanto legendas de agência distribuídas na mesma época, retomadas pela imprensa recente, falam em “ao largo de Deal”. Há também dúvida sobre a fotografia mais difundida do episódio, que segundo a checagem publicada pelo Snopes mostra o exemplar já taxidermizado, e não o animal recém-içado no cais.

A Espécie: Mobula birostris

A arraia-manta gigante era classificada como Manta birostris em 1933 e hoje é tratada como Mobula birostris. A mudança foi formalizada em 2018, quando a análise filogenética da família Mobulidae mostrou que o gênero Manta estava aninhado dentro de Mobula. É a maior raia viva: a NOAA registra envergadura máxima próxima de 7,9 metros e peso de até cerca de 2,4 toneladas. Alimenta-se por filtração, capturando zooplâncton com as brânquias modificadas enquanto nada.

A espécie ocorre em águas subtropicais, temperadas e tropicais dos três oceanos. No Atlântico oeste, um levantamento publicado em 2022 na Scientific Reports mostrou que a distribuição acompanha a temperatura da água e avança para o norte no verão: 82% dos avistamentos acima do paralelo 35 norte se concentram entre junho e setembro. Isso ajuda a explicar por que um animal de águas quentes apareceu na costa de Nova Jersey no fim de agosto. Registros ainda mais ao norte já haviam sido publicados por E. W. Gudger na revista Science em 1922, a partir de um exemplar arpoado perto de Block Island.

Hoje a arraia-manta gigante é classificada como Em Perigo na Lista Vermelha da IUCN e está protegida como espécie ameaçada pela legislação federal norte-americana desde 2018. As maiores pressões são a captura dirigida e a captura incidental, puxadas pelo comércio de brânquias para a medicina tradicional asiática, somadas a colisões com embarcações, degradação de habitat e emalhamento em artes de pesca.

Foto: “Giant Devilfish Caught by Fisherman”. © Bettmann/CORBIS.

Referências Bibliográficas

  1. Bigelow, Henry B.; Schroeder, William C. Fishes of the Western North Atlantic. Part Two: Sawfishes, Guitarfishes, Skates and Rays; Chimaeroids. Memoir of the Sears Foundation for Marine Research, n. 1, parte 2. New Haven: Yale University, 1953.
  2. Coles, Russell J. “Natural History Notes on the Devilfish, Manta birostris (Walbaum) and Mobula olfersi (Müller)”. Bulletin of the American Museum of Natural History, v. 35, art. 33, 1916, p. 649-657. Disponível em: https://digitallibrary.amnh.org/items/14783931-5b9f-42f8-8a78-4cda4dd5eb50
  3. Departamento de Polícia de Brielle. “The Great Manta, Brielle, NJ, 1933”. Publicação de acervo histórico do departamento, Brielle, Nova Jersey.
  4. Farmer, Nicholas A.; Garrison, Lance P.; Litz, Jenny A. e outros. “The Distribution of Manta Rays in the Western North Atlantic Ocean off the Eastern United States”. Scientific Reports, v. 12, art. 6544, 2022. Disponível em: https://doi.org/10.1038/s41598-022-10482-8
  5. Gudger, Eugene W. “The Most Northerly Record of the Capture in Atlantic Waters of the United States of the Giant Ray, Manta birostris“. Science, v. 55, n. 1422, 1922, p. 338-340. Disponível em: https://doi.org/10.1126/science.55.1422.338
  6. Marshall, Andrea; Barreto, Rodrigo; Carlson, John e outros. “Mobula birostris (versão corrigida da avaliação de 2020)”. The IUCN Red List of Threatened Species, 2022, e.T198921A214397182. Disponível em: https://doi.org/10.2305/IUCN.UK.2022-1.RLTS.T198921A214397182.en
  7. News 12 New Jersey. “Jersey Proud: Fisherman Catches 20-Foot-Wide Manta Ray off Coast of Deal 91 Years Ago”. Reportagem de 27 de agosto de 2024.
  8. NOAA Fisheries. “Giant Manta Ray (Mobula birostris)”. National Oceanic and Atmospheric Administration, Estados Unidos. Disponível em: https://www.fisheries.noaa.gov/species/giant-manta-ray
  9. Snopes. “Does a Photograph Show a Real Giant Manta Ray?”. Checagem assinada por Dan Evon, 23 de abril de 2018.
  10. Stead, David G. Sharks and Rays of Australian Seas. Sydney: Angus & Robertson, 1963.
  11. Strawn, Arthur. “When the Fishermen Were Almost Captured by the Fish”. St. Louis Post-Dispatch, Sunday Magazine, 10 de dezembro de 1933, p. 2 e 7.
  12. White, William T.; Corrigan, Shannon; Yang, Lei e outros. “Phylogeny of the Manta and Devilrays (Chondrichthyes: Mobulidae), with an Updated Taxonomic Arrangement for the Family”. Zoological Journal of the Linnean Society, v. 182, n. 1, 2018, p. 50-75. Disponível em: https://doi.org/10.1093/zoolinnean/zlx018

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21/06/2024

A fotografia tirada em 1933, mostra uma arraia gigante do gênero manta, capturada e exibida na Marina de Hansen em Brielle, Nova Jersey, Estados Unidos.